Por seis votos a um, a Executiva Estadual do PV fechou questão ontem à noite por ingressar na base do governador Eduardo Campos (PSB), tornando-se o 16º partido da Frente Popular, conforme a Folha de Pernambuco antecipou com exclusividade. A decisão terá de ser seguida até pelo deputado estadual eleito Daniel Coelho (PV), cotado para liderar a oposição na Assembleia Legislativa. De quebra, os verdes já desembarcam no governo à frente da Secretaria de Meio Ambiente, cuja criação foi confirmada pelo governador no anúncio do primeiro escalão do seu próximo mandato. Terceiro colocado na disputa pelo Palácio, com 86.543 votos, o presidente estadual do PV, Sérgio Xavier, foi convidado e aceitou assumir a pasta. De férias em Nova Iorque (EUA), ele será anunciado assim que retornar ao Recife.
A direção do partido é composta por 11 nomes, mas apenas sete participaram da reunião. Três direcionamentos entraram na pauta: manter a postura de independência, apoiar Eduardo ou fazer oposição. Seis membros optaram pelo apoio a Campos: o vereador do Recife, Augusto Carreras, o ex-deputado Roberto Leandro, o deputado estadual não reeleito Lucrécio Gomes, um vereador de Escada conhecido apenas por Hermílio e os militantes Poliana e Carlos Augusto. Ligada a Daniel Coelho, a bióloga Betânia Advincula foi a única a votar pela postura de independência.
As articulações para que o PV aderisse ao governo foram conduzidas pelo próprio Sérgio Xavier, por Carreras, ligado a Eduardo desde 1990, e por Roberto Leandro, que presidiu o detran até 2009, quando ainda era filiado ao PT. Candidata ao Senado pela sigla neste ano, a médica Renê Patriota apoia o grupo; assim como ex-deputado Harlan Gadelha e o militante Vicente Roque. Outras lideranças estaduais e municipais do PV também engrossam o coro. “Esperamos que todos cumpram a decisão”, advertiu Leandro, destacando que o próximo passo será discutir com o governador os temas a cerca da sustentabilidade ambiental defendidos pelo PV.
Roberto Leandro, que não confirmou nenhum dos nomes presentes no encontro, disse que Daniel Coelho não está imune à diretriz partidária. O ex-deputado salientou que o correligionário não elegeu-se apenas por seus votos próprios, mas teve contribuição fundamental de todos os votos direcionados aos candidatos da legenda. O que o obrigaria a seguir o partido. Leandro reforçou, porém, que a migração não foi em troca de cargos. “O que existe é uma identidade política”, ressaltou.
De acordo com Augusto Carreras, o convite ao PV foi feito pelo presidente estadual do PSB, Milton Coelho, domingo à noite em reunião no Palácio, da qual também participaram o futuro secretário da Casa Civil e atual procurador-geral do Estado, Tadeu Alencar, e o secretário de Imprensa, Evaldo Costa. Do lado PV, estiveram no encontro o vereador recifense e Sérgio Xavier. Carreras, contudo, não confirmou que o presidente estadual verde será o secretário. “Na ocasião, só tratamos do apoio ao governador, não de cargos”, garantiu.